VIVENCIAL

Viver o cotidiano não exime da tarefa de pensá-lo, como não o faz a prática de experienciar a cultura em suas formas mais acabadas, inclusive naquilo em que nelas se imiscui a chamada vida comum. A proposta deste blog é constituir um espaço de intersecção entre esses campos vivenciais para pessoas que, como nós, têm na reflexão crítica um imperativo para a existência digna do corpo e do espírito – individual e social.

domingo, 14 de julho de 2013

Cinema pela Verdade em Dourados

Alguém - talvez o artista plástico e poeta Luciano Alonso - me disse há alguns dias: "Enquanto houver pessoas que foram ligadas ao regime militar em postos de comando neste país, isso aqui demora a mudar...".

Quem acha que a Ditadura que se estendeu dos anos 60 aos 80 no Brasil é algo superado, muito se engana: ainda tropeçamos com estruturas, mentalidades e ações que atualizam a cada dia esse “passado” sombrio. Não se transforma mentalidades à força, mas estruturas se modificam, e ações se admitem ou não. E fatos se conhecem - e apuram - ou não. Por isso, pensar essa "página infeliz da nossa História" é uma necessidade extremamente atual.

E por isso os Arquivos Críticos abrem espaço para divulgação do Projeto Cinema pela Verdade, que, em Mato Grosso do Sul, promoveu a exibição de dois filmes no início de julho em Campo Grande e prosseguirá com a exibição de mais dois filmes dias 15 e 15 (segunda e terça-feira) em Dourados. Quem perder exibições, fica com as ótimas dicas cinematográficas - e historiográficas - no fim do release abaixo.

Serviço:

15 de julho, segunda-feira

19h – Exibição do filme Eu me Lembro, Luiz Fernando Lobo
Local: Cine Auditório, Unidade 1 da UFGD
Endereço: Rua João Rosa Góes, 1761 - Vila Progresso, Dourados/MS.
Debatedores: Eudes Fernando Leite, historiador, e Karine Segatto, jornalista.
Mediador: João Carlos, historiador

16 de julho, terça-feira

19h – Exibição do filme NO, de Pablo Larrín
Local: Auditório FADIR, Unidade 4 da UFGD
Endereço: Rua Quintino Bocaiúva, 2100 - Jardim da Figueira, Dourados/MS
Debatedores: Matheus de Carvalho Hernandez, mestre em Relações Internacionais, e Antônio José Guimarães Brito, Doutor em Direito
Mediador: Guillermo Alfredo Johnson, mestre em Sociologia política.

Mostra Cinema pela Verdade terá novas exibições em Mato Grosso do Sul com filmes sobre a Ditadura Civil-Militar na América Latina

Sessões serão realizadas na Universidade Federal da Grande Dourados, UFGD

A Mostra Cinema pela Verdade terá duas novas sessões em Mato Grosso do Sul, dessa vez em Dourados, nos próximos dias 15 e 16 de julho na UFGD. Serão exibidos o documentário Eu me Lembro, do diretor Luiz Fernando Lobo, segunda-feira, às 19h, no Cine Auditório, e a ficção chilena No, de Pablo Larrín, na terça-feira, às 19h, no Auditório da FADIR. Em sua segunda edição, a Mostra foi criada com o objetivo de promover exibições de filmes seguidas de debates sobre o período da Ditadura Civil-Militar e seus desdobramentos, bem como a relação com as ditaduras contemporâneas do Cone Sul.

Realizada pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), em parceria com o Ministério da Justiça, a Mostra Cinema pela Verdade foi contemplada pelo edital "Marcas da Memória", da Comissão de Anistia, que visa à promoção de eventos e projetos com foco neste período marcante da história brasileira. A mostra começou em maio e acontecerá simultaneamente em universidades dos 27 estados da federação até o mês de agosto. Cada estado do país terá pelo menos oito sessões de filmes, totalizando mais de 200 exibições.

O ponto de partida foi um encontro, durante a primeira semana de maio, no Rio de Janeiro, entre os “agentes mobilizadores” - 27 universitários de diferentes áreas, que foram capacitados para serem os produtores locais em suas respectivas cidades. Em Mato Grosso do Sul, a agente mobilizadora é a estudante de Jornalismo da UFMS, Natália Moraes dos Santos, de 18 anos.  

Este ano, foram selecionados para a mostra dois documentários sobre a ditadura no Brasil e dois filmes de ficção sobre o período da ditadura na Argentina e no Chile. Entre as produções brasileiras estão Eu Me Lembro, de Luiz Fernando Lobo, e Marighella, de Isa Grinspum Ferraz. Já a ficção Infância Clandestina, de Benjamín Ávila, é uma coprodução Brasil-Argentina, e No, de Pablo Larraín, faz um recorte sobre a ditadura chilena.  Na primeira semana de julho teremos a continuidade da mostra, que será marcada pelos agentes regionais, de maneira que todos os quatro filmes serão exibidos em cada estado.

"O projeto Cinema pela Verdade cria um ambiente de mobilização em todo o país. Especialmente junto à juventude, em favor da memória, em favor da construção da verdade para que o país possa, finalmente, passar a limpo a sua história e possa enfrentar os seus erros de frente, para que eles não se repitam mais. E, ao mesmo tempo, possa gerar consciência crítica na juventude para que ela assuma para si um legado de resistência, de lutas e de conquistas dos nossos direitos", ressalta o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

A vice-presidente do ICEM, Luciana Boal complementa: "Por vivermos em um país em que 92% dos municípios não possuem salas de cinema, nós do ICEM acreditamos que projetos como o Cinema pela Verdade são fundamentais para dar mais acesso à produção nacional. E ter as universidades como palco dessas sessões é investir na formação de um público crítico e articulado. Nada melhor do que trabalhar com os próprios universitários para estimular o contato com o cinema nacional e para que possam compreender localmente como é possível produzir um festival, além de formarem uma rede de agentes culturais".

Sobre os Filmes Selecionados:

Eu me lembro, de Luiz Fernando Lobo: exibido no Festival Internacional do Rio de Janeiro. O documentário acompanhou cinco anos das caravanas da Anistia e reconstrói a luta dos perseguidos por reparação, memória, verdade e justiça por meio de imagens de arquivo e de entrevistas.

Infância Clandestina, de Benjamín Ávila: representante argentino ao Oscar 2013, categoria melhor filme estrangeiro. Argentina, 1979. Juan, assim como seus pais e seu tio leva uma vida clandestina. Fora do berço familiar ele precisa manter as aparências pelo bem da família, que luta contra a ditadura militar que governa o país.

Marighella, de Isa Grinspum Ferraz, ganhador do Prêmio de melhor longa-metragem da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em 2012. Carlos Marighella foi o maior inimigo da ditadura militar no Brasil. Este líder comunista e parlamentar foi preso e torturado, e tornou-se famoso por ter redigido o Manual do Guerrilheiro Urbano.


NO, de Pablo Larraín, concorreu ao Oscar 2013 na categoria melhor filme estrangeiro. Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Os líderes do governo contratam René Saavedra para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet.

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